A nossa história

Antes de Roma traçar ruas e erguer muralhas, estas terras já eram habitadas por povoações castrejas que vigiavam os vales a partir das alturas.

Quando chegaram as legiões, não encontraram um espaço vazio, mas sim um território já organizado, onde dois mundos começaram a sobrepor-se: o das antigas fortificações de pedra e o da nova cidade romana que viria a chamar-se Lvcvs Avgvsti.

O legado vivo da cidade mais antiga da Galiza

Lugo ostenta o título de cidade mais antiga da Galiza, com uma história que ultrapassa os dois mil anos. Antes da chegada das legiões de Roma, este local já era um povoado castrejo (um antigo castro) estrategicamente situado numa elevação sobre o rio Minho. A origem do nome de Lugo está tradicionalmente associada à palavra latina lucus (bosque sagrado) ou à divindade celta Lugus.

Foi no ano 14 a.C. que, sob o mandato de Augusto, Paulo Fábio Máximo fundou a cidade como um assentamento militar sob o nome de Lvcvs Avgvsti. Não se tratou de uma fundação menor; nasceu como um centro de poder fundamental para organizar o extremo ocidental do império e controlar riquezas como o ouro de Las Médulas.

Durante a dominação romana, a cidade alcançou um elevado grau de sofisticação urbana, hoje visível em vestígios como as termas públicas, a Domus do Mitreu, os mosaicos, a cloaca ou a ponte romana. Graças à sua posição estratégica, Lvcvs Avgvsti consolidou-se como uma das principais capitais administrativas da Gallaecia.

No século III d.C., perante a incerteza da época, a cidade rodeou-se da sua grande Muralha Romana. Esta fortificação com mais de dois quilómetros de pedra não foi apenas um símbolo de defesa, mas também de continuidade, permitindo que a cidade permanecesse de pé após a queda de Roma.

Com o fim do Império, Lugo manteve o seu protagonismo ao tornar-se um núcleo fundamental do Reino Suevo e um importante centro religioso.

Nesta época, a cidade foi palco de acontecimentos marcantes, como o apoio ao exército de Ramiro I e a sua consolidação como ponto-chave do Caminho Primitivo após o auge do culto ao Apóstolo Santiago. As suas muralhas ofereceram refúgio constante perante ameaças externas, como as incursões de Almançor.

A Baixa Idade Média ficou marcada por disputas de poder entre nobres, bispos e reis, dando origem a lendas de resistência popular como a de María Castaña. Depois de superar séculos de alguma decadência, Lugo renasceu com força no século XVIII, impulsionada pelas feiras de São Froilão, tornando-se um centro agrícola e comercial que viria mais tarde a reforçar-se com a chegada do caminho de ferro e da industrialização.

Hoje, Lugo é uma cidade moderna e acolhedora que soube integrar o seu passado de forma natural na sua evolução urbana. A sua Muralha, única no mundo por se conservar completa, foi declarada Património Mundial pela UNESCO no ano 2000. A história da cidade não é uma recordação estática, mas sim uma memória viva que se celebra em eventos como o Arde Lucus, demonstrando que Lugo continua a pulsar com a mesma força de há dois milénios.

A cidade dos três Patrimónios Mundiais

Lugo é uma cidade singular por reunir, num mesmo espaço urbano, três bens reconhecidos como Património Mundial pela UNESCO, um facto que reforça o seu posicionamento internacional. A este valor excecional junta-se um vasto património histórico, artístico e urbano, visível no seu centro histórico, na arquitetura de diferentes épocas e na convivência harmoniosa entre cidade, paisagem e vida quotidiana.

Meados do século III

Muralha Romana

Quando os tempos mudaram e o Império deixou de ser seguro, Lvcvs Avgvsti decidiu proteger-se. Entre o final do século III e o início do IV foi erguida a sua muralha, provavelmente sob o mandato do imperador Diocleciano: mais de dois quilómetros de pedra que rodeavam a cidade com precisão e solidez. Torres semicirculares — mais de oitenta —, muralhas de grande espessura e portas estratégicas deram forma a uma defesa pensada para resistir e perdurar.

Com o passar dos séculos, perdeu a sua função militar, mas nunca desapareceu. A cidade cresceu para além dela e chegaram mesmo a abrir-se novas portas em épocas posteriores, mas o seu perímetro manteve-se completo, algo único no mundo romano. O facto de nunca ter sido abandonada nem desmantelada explica o seu extraordinário estado de conservação. Por isso, foi reconhecida como Património Mundial pela UNESCO no ano 2000.

Mais de dois mil anos depois, a Muralha Romana de Lugo é hoje muito mais do que um monumento: é um espaço vivido, totalmente percorrível através do seu adarve e utilizado diariamente, plenamente integrado na vida quotidiana das luguesas e dos lugueses.

Século XXII

Catedral de Santa María

No coração da cidade, muito perto da muralha, a Catedral de Santa Maria de Lugo foi crescendo ao longo dos séculos, como se fosse uma história escrita em pedra. A sua construção começou em 1129 como um templo românico, mas o tempo foi deixando nela a sua marca: elementos góticos, barrocos e neoclássicos misturam-se hoje num conjunto único que reflete a evolução da cidade e da sua fé. A primitiva fachada gótica, erguida na Idade Média, desapareceu em grande parte após as reformas realizadas nos séculos XVII e XVIII, quando se optou por uma nova fachada de estilo neoclássico, de acordo com os gostos da época, transformando de forma significativa o seu aspeto exterior.

No seu interior conservam-se alguns dos seus traços mais antigos, como a porta norte românica, enquanto espaços como a Capela da Virgem dos Olhos Grandes ou o claustro revelam a riqueza artística de épocas posteriores. Mas há algo que a torna verdadeiramente singular: é a única catedral do mundo onde o Santíssimo Sacramento permanece exposto de forma permanente, um privilégio concedido no século XVII. Esta tradição, conhecida como exposição perpétua, deu igualmente origem a práticas de adoração contínua, tanto diurna como noturna, profundamente enraizadas na vida religiosa da cidade.

Catedral de Santa María
Camiño Primitivo do Camiño de Santiago

Século IX

O caminho primitivo

Antes de existirem grandes rotas assinaladas, houve um primeiro caminho. O Caminho Primitivo nasceu no século IX, quando o rei Afonso II das Astúrias empreendeu viagem desde Oviedo para confirmar a descoberta do túmulo do Apóstolo em Santiago de Compostela.

Atravessando montanhas e vales, esta rota conserva um caráter mais fiel às suas origens: menos percorrida, mais exigente e profundamente ligada ao território. Com o avanço do antigo reino para sul durante a Reconquista, os centros de poder foram-se deslocando e surgiram rotas mais acessíveis e seguras, como o Caminho Francês. Isso fez com que o Caminho Primitivo fosse perdendo relevância, e só no final do século XX começou a ser recuperado e valorizado como itinerário histórico.

No ano de 2015, o Caminho Primitivo foi reconhecido como Património Mundial pela UNESCO. O mais antigo itinerário jacobeu atravessa Lugo e reforça o seu papel como ponto-chave dentro da rede de caminhos para Santiago, ligando a cidade a uma tradição de peregrinação plenamente integrada no espaço urbano. Além disso, Lugo situa-se a cerca de 100 km de Santiago de Compostela, tornando-se um dos pontos habituais de partida para os peregrinos que desejam obter a Compostela.

O património cultural e romano de Lugo convive também com a sua riqueza natural. Os rios Minho e Rato rodeiam a cidade e fazem parte do Cinturão Verde, que permite percorrer trilhos e percursos onde se pode desfrutar da tranquilidade, do ar livre e da biodiversidade. Este ambiente privilegiado coloca Lugo num contexto único, ao integrar a Reserva da Biosfera Terras do Miño, um reconhecimento internacional que distingue a cidade como a única capital ibérica incluída nesta distinção da UNESCO.

Aqui encontram-se três caminhos que atravessam a cidade e ligam Lugo à sua história e ao seu território: o Caminho Primitivo de Santiago (Património Mundial da UNESCO), que convida a viver a cidade a partir da perspetiva do peregrino; a Via XIX, a antiga estrada romana que ligava Lugo a outros enclaves da Gallaecia; e a Via Künig, um itinerário histórico do final do século XV que liga Santiago de Compostela a Lugo.

Ao longo destes percursos descobrem-se espaços naturais integrados na cidade, bem como vestígios históricos como as termas romanas nas margens do Minho, que recordam a relação ancestral entre a água, a história e a cidade.

Ponte Romana de Lugo

Mapa interativo

Neste espaço encontrarás desde os acampamentos e pontos-chave do Arde Lvcvs até aos monumentos milenares que guardam a essência de Lvcvs Avgvsti.

Localiza-te no mapa, atravessa a Muralha e não percas um único recanto do nosso passado.